sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Com a conivência de Eduardo Paes, Cabral e Dilma põem abaixo Hospital do Iaserj

Prédio do Hospital do Iaserj começou a ser demolido em agosto deste ano, privando a população carioca de uma das mais importantes unidades de saúde pública da rede estadual

Um escândalo para ser lembrado como um crime contra a saúde pública, contra os servidores do estado e toda a população, para beneficiar empreiteiras, com fortes indícios de irregularidades. Assim pode ser sintetizada a demolição do Hospital do Iaserj, uma unidade que atendia a mais de 9 mil pacientes por mês, com 41 especialidades, capacidade para 400 leitos e com mais de 100 mil pacientes do SUS cadastrados.
A destruição de uma unidade desta magnitude faz parte do projeto arquitetado pelos governos Dilma Roussef e Sérgio Cabral Filho, com a conivência do prefeito Eduardo Paes. Pretendem erguer no local, com verbas do Ministério da Saúde, um centro de pesquisas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), orçado, inicialmente, em cerca de R$ 500 milhões. Contra a transação, desde o início se colocaram os sindicatos, associações de moradores e conselhos de saúde. Denunciaram o absurdo da demolição, o prejuízo que causaria à população, já atingida pela precariedade do atendimento da rede estadual de saúde e a irresponsabilidade de um gasto milionário para criar apenas 78 leitos a mais para a Inca, concentrando o atendimento, ao invés de descentralizá-lo, como aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde.
Tropa de Choque
A cessão do Iaserj para o Inca, feita em 2008 pelo governador Cabral Filho, foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que mandou suspender a demolição e a obra. Mas depois voltou atrás. Ações judiciais contestando o projeto deixavam de ser julgadas. Acionado durante anos, o Ministério Público não se movimentava. A Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), controlada por Cabral, aceitou a cessão do Iaserj. A transação só poderia ser feita com aprovação de emenda constitucional ou projeto de lei, já que pela Constituição do Estado e lei ordinária as instalações do hospital pertencem aos servidores.
Em julho de 2012, Cabral determinou à Tropa de Choque o cerco e a invasão do Iaserj. Do hospital, de madrugada, foram removidos equipamentos caros e pacientes internados, muitos deles internados em CTI, sem licença das famílias ou dos médicos que tratavam deles. A retirada tinha sido proibida por liminar do juiz Daniel Vianna Vargas, no dia 7 de junho. Mas foi cassada no dia 11 de julho pela juíza Simone Lopes da Costa, da 10ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio (Comarca da Capital). Em setembro o Inca, dirigido por Luiz Santini, tomou posse efetiva do Iaserj e começou a demolí-lo.
Pacientes criticam demolição e transferência de serviços para o Maracanã
Os servidores do Hospital do Iaserj Central, cerca de 1.500, foram transferidos para o ambulatório do Iaserj no Maracanã. Ao contrário do que afirmou o secretário estadual de saúde, Sérgio Côrtes, a unidade não tem espaço para atender todos os pacientes do Hospital Central do Iaserj.
Nair Joaquina dos Santos, 72 anos, é paciente do Centro de Tratamento de Feridas (Cetaf) do hospital, único no estado. Critica o governo Cabral pela demolição e diz que dá dor no coração ver aquilo tudo ser destruído. “Andei por dois, três hospitais, mas só encontrei tratamento no Iaserj. Eles são muito bons. Mas a mudança para o Maracanã me atrapalhou muito”, disse. Alberto, morador da Tijuca, disse que ficou 2h30 para ser atendido no Laboratório do Maracanã porque a sala é pequena, não cabendo os sete servidores que faziam o serviço rapidamente no Hospital Central do Iaserj. “Está sempre lotado”, acrescentou.
Teresinha de Jesus acusa os envolvidos no projeto de agirem por interesse pessoal e acha que o dinheiro deveria ter uma destinação mais útil para a população. “Eles fazem tudo isso para entrar dinheiro no bolso deles. Em vez de mandar pôr abaixo um hospital poderiam fazer reformas neste e nos outros que estão caindo aos pedaços, colocar mais leitos, pagar melhores salários”, defendeu. André Luiz Carlos diz que os servidores procuram atender os pacientes da melhor forma, no Maracanã. “Mas enfrentam a falta de espaço. O governo mentiu quando disse que daria as condições necessárias ao atendimento. Outra dificuldade é que o Hospital do Iaserj era no centro o que facilitava. Aqui, no Maracanã, as pessoas têm que pegar várias conduções pra chegar”, disse.
Derly Santos não entende por que o novo Inca tinha que ser construído no lugar do Iaserj. “Com tanto lugar pra isso, por que demolir um hospital que funcionava bem para construir um que vai tratar de só uma doença? Fica difícil de entender”, argumenta. José Silva, 67 anos, morador de Niterói, até concorda com a demolição, desde que, antes, o Inca construísse um hospital que substituísse o do Iaserj. “Afinal, como servidores, contribuímos financeiramente para a construção do Iaserj e temos direito aos serviços que ele prestava”, lembrou. Valdira da Silva Santos acha uma indecência gastar milhões para acabar com o Iaserj. “Aqui, no Ambulatório do Maracanã, só dão 12 números para ortopedia. Resultado, fiquei sem atendimento e vou ter que voltar outro dia”, lamentou.
André Gustavo, professor do estado, condena a destruição do Iaserj Central. “A gente fica sem compreender como um governador faz a covardia, o absurdo que fez com o Iaserj. Me consulto lá desde que era criança, Minha mãe é servidora do estado. Ele acaba com o Iaserj para entregar o espaço ao Inca que depois entregará, com certeza, o prédio para a iniciativa privada, como tem acontecido com outros hospitais e também na educação”. O professor lembra que não se justifica demolir o Iaserj para construir um centro de pesquisas do Inca, com tanto espaço no estado para que isso fosse feito. “Por que não constrói o Inca no Porto Maravilha? Por que ele entregou aquela área para o Eike Batista. É tudo um absurdo”, constatou.

SINDSPREV

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